Conselho de Minerais Críticos: como funciona o novo órgão que vai regular o setor
O que é o CIMCE, conselho que regulará minerais críticos e estratégicos no Brasil, como se estrutura e por que o setor acompanha de perto.
O Brasil criou em setembro de 2026 um novo conselho nacional para cuidar dos minerais que considera críticos e estratégicos. O órgão, chamado CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos), vai avaliar operações do setor mineral, definir a lista oficial de minerais críticos e estratégicos e regulamentar benefícios fiscais e o Fundo Garantidor da Atividade Mineral. A regulamentação deve ficar pronta até dezembro de 2026, e o setor acompanha de perto porque as regras podem impactar desde o financiamento de projetos até a venda de ativos minerários.
Em resumo
- O CIMCE foi criado pela Lei 15.506/2026 e vinculado à Presidência da República.
- Tem três instâncias: o Pleno (diretrizes), o Comitê Executivo (análise de operações) e a Secretaria-Executiva (suporte).
- Vai avaliar transações como mudanças de controle societário, transferências de direitos minerários e contratos internacionais de fornecimento.
- Vai definir a lista de minerais críticos e estratégicos do Brasil, com revisão a cada quatro anos.
- A regulamentação deve ser concluída até dezembro de 2026.
O que é o CIMCE
O CIMCE é o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. Ele foi instituído pela Lei 15.506/2026, sancionada em 16 de setembro de 2026, e está vinculado à Presidência da República. A ideia é centralizar em um único órgão a governança da nova política de minerais críticos e estratégicos, evitando que decisões sobre ativos minerários estratégicos sejam tomadas sem avaliação de interesse nacional.
Na prática, o conselho pode impedir negócios envolvendo ativos e empresas do setor mineral, conforme os critérios que ainda estão sendo regulamentados. Isso inclui mudanças de controle societário, transferências de direitos minerários e contratos internacionais de fornecimento, como a venda antecipada da produção (os chamados offtakes).
Como o CIMCE se organiza
O conselho tem três instâncias principais, com funções diferentes:
| Instância | Quem preside/coordena | Função |
|---|---|---|
| Pleno | Casa Civil | Define diretrizes estratégicas e regras gerais. Reúne governo, estados, municípios, setor privado e academia. |
| Comitê Executivo | MDIC | Braço operacional. Analisa projetos e operações. Pode aprovar com ou sem condições, negar ou aplicar medidas cautelares. |
| Secretaria-Executiva | MDIC | Dá suporte ao funcionamento do conselho. Tem três subsecretarias: gestão, projetos e análise de operações. |
A Secretaria-Executiva ganhou um titular em 29 de outubro de 2026: Carlos Leonardo Teófilo Durans, servidor de carreira do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e analista de comércio exterior desde 2013. A divisão em três subsecretarias foi criada por decreto publicado em 19 de outubro de 2026.
O Ministério de Minas e Energia (MME) participa das decisões e precisa emitir parecer técnico em áreas como análise de operações. A Agência Nacional de Mineração (ANM) atua de forma complementar e consultiva, mantendo suas atribuições regulatórias, de fiscalização e de outorga de direitos minerários.
O que o CIMCE vai regular
As atribuições do conselho são amplas. Segundo a lei e as reportagens sobre o tema, o CIMCE vai:
- Definir a lista de minerais críticos (com base na vulnerabilidade de abastecimento do Brasil) e estratégicos (com base nas vantagens comparativas do país). A lista será revisada a cada quatro anos.
- Avaliar transações envolvendo empresas do setor mineral, como mudanças de controle, transferências de direitos e contratos internacionais.
- Estabelecer as regras do Fundo Garantidor da Atividade Mineral.
- Definir benefícios fiscais ao setor.
- Estabelecer critérios para determinar quais operações serão analisadas, quais terão rito simplificado e quais serão dispensadas.
O governo busca equilibrar o controle do Estado em operações estratégicas sem criar burocracia excessiva. Segundo Rodrigo Fonseca, secretário-adjunto da Secretaria de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, “a ideia é equilibrar o controle do Estado em operações consideradas estratégicas sem criar um processo burocrático incompatível com a dinâmica do setor privado”.
Por que o setor acompanha de perto
As regras do CIMCE são muito aguardadas porque podem impactar o financiamento de projetos. A atuação do conselho é um dos pontos mais sensíveis para as chamadas junior miners, empresas em fase de desenvolvimento que dependem de capital estrangeiro.
Um exemplo concreto é a compra da Meteoric Resources pela Lynas Rare Earths. A Meteoric é dona do Projeto Caldeira, em Poços de Caldas (MG), e a operação foi avaliada em US$ 672 milhões (cerca de R$ 3,4 bilhões). Esse deve ser o primeiro teste da nova política.
O setor defende que sejam estabelecidos critérios objetivos para definir quais operações serão analisadas e quais seguirão para um rito sumário. A regulamentação também deve estabelecer regras de transição para negócios que já estão em negociação, evitando que a nova política prejudique operações em curso.
Os números do setor de minerais críticos
Enquanto o conselho se estrutura, os dados do setor mostram crescimento. Segundo o Portal de Minerais Críticos e Estratégicos da ANM, com dados de 2025:
- 129.423 trabalhadores empregados em atividades de minerais críticos e estratégicos, o equivalente a 57% dos 226.634 empregos da indústria extrativa mineral brasileira.
- Crescimento de 8,6% no mercado de trabalho do segmento entre 2023 e 2025.
- Minas Gerais lidera com 62.631 postos, seguido por Pará (27.047) e Bahia (9.147).
- A extração de ferro lidera a geração de empregos, com 70.027 trabalhadores.
- A produção mineral movimentou R$ 250,4 bilhões em 2025, com 1.012 áreas em produção.
Sobre a distribuição dos empregos e o perfil dos trabalhadores, leia mais em Minerais críticos e estratégicos: o que são e por que viraram prioridade.
Próximos passos
A regulamentação do CIMCE deve ser concluída até dezembro de 2026, prazo estabelecido pela Lei 15.506/2026. Os pontos que ainda precisam ser definidos incluem:
- Quais operações serão submetidas ao conselho.
- Quais poderão ser dispensadas de análise.
- Quais seguirão um rito simplificado.
- As regras de transição para negócios em andamento.
O conselho também precisa definir a lista oficial de minerais críticos e estratégicos, que hoje tem como referência a lista de 2021, com 24 bens minerais em três grupos. Sobre essa lista e os conceitos de crítico e estratégico, veja Minerais críticos e estratégicos: o que são e por que viraram prioridade.
Perguntas frequentes
O que significa CIMCE?
CIMCE é a sigla para Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. É o órgão criado pela Lei 15.506/2026 para governar a política nacional de minerais críticos e estratégicos.
O que o CIMCE vai fazer na prática?
O conselho vai definir a lista de minerais críticos e estratégicos do Brasil, avaliar transações envolvendo empresas do setor mineral (como mudanças de controle e contratos internacionais), regulamentar o Fundo Garantidor da Atividade Mineral e definir benefícios fiscais.
Quem preside o CIMCE?
O Pleno do CIMCE é presidido pela Casa Civil. O Comitê Executivo é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que também abriga a Secretaria-Executiva do conselho.
Quando o CIMCE começa a funcionar de fato?
O conselho já foi instalado, mas a regulamentação dos critérios e procedimentos deve ser concluída até dezembro de 2026. A nomeação do secretário-executivo em outubro de 2026 foi um passo importante nessa estruturação.
O CIMCE pode impedir a venda de uma mina?
Sim. O conselho terá poder para avaliar e homologar transações envolvendo empresas do setor mineral, incluindo mudanças de controle societário e transferências de direitos minerários. Na prática, pode impedir negócios que não atendam aos critérios de interesse nacional que serão definidos na regulamentação.
Este artigo foi útil? Compartilhe com quem também quer entender a mineração.
Compartilhar
Fontes
- Planalto – Lei nº 15.506, de 16 de setembro de 2026 (texto integral)
- Capital Reset – Conselho Nacional de Minerais Críticos começa a tomar forma com nomeação de secretário (29/10/2026)
- Agência Nacional de Mineração (ANM) – Portal de Minerais Críticos e Estratégicos (dados de 2025)
- Rádio Itatiaia – Minerais críticos concentram 57% dos empregos de mineração no Brasil, aponta ANM (28/10/2026)
- Jornal Grande Bahia – Minerais críticos e estratégicos geram 129 mil empregos no Brasil (25/10/2026)
- Agência Câmara de Notícias – Nova lei cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (16/9/2026)
Comentários
Ainda não há comentários. Seja a primeira pessoa a comentar.


