Lítio: o que é, para que serve e onde o Brasil produz
Lítio para que serve? Entenda o que é esse metal, de onde ele vem, quanto vai para as baterias e como o Brasil produz espodumênio em Minas Gerais.

Lítio para que serve? Hoje, cerca de 88% do lítio consumido no mundo vai para baterias recarregáveis, como as de celulares, notebooks, carros elétricos e sistemas de armazenamento de energia. O restante aparece em cerâmicas, vidros, graxas lubrificantes e remédios. Esse metal leve sai de dois tipos principais de depósito: salmouras de desertos e rochas chamadas pegmatitos. O Brasil explora o segundo tipo, em Minas Gerais.
Em resumo
- O lítio é o elemento químico de número atômico 3 e o metal de menor densidade que existe.
- Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), 88% do lítio consumido no mundo vai para baterias.
- Ele é extraído de salmouras (Chile, Argentina, China) e de minerais de pegmatitos, como o espodumênio (Austrália, China, Zimbábue, Brasil).
- Em 2025, a produção mundial de mina chegou a cerca de 290 mil toneladas de lítio contido, sem contar os Estados Unidos. A Austrália liderou.
- O Brasil produziu cerca de 12 mil toneladas em 2025, segundo o USGS, em minas de Itinga, Araçuaí e Nazareno, em Minas Gerais.
O que é o lítio
O lítio é um metal macio e prateado, o terceiro elemento da tabela periódica. Segundo a Royal Society of Chemistry, sociedade britânica de química, ele tem a menor densidade de todos os metais (0,534 grama por centímetro cúbico) e reage com força quando entra em contato com a água. Segundo o USGS, o lítio metálico é tão leve que flutua no óleo.
O nome vem do grego lithos, que quer dizer “pedra”. A história tem um capítulo brasileiro: o primeiro mineral de lítio conhecido, a petalita, foi descoberto na década de 1790 na ilha sueca de Utö pelo brasileiro José Bonifácio de Andrada e Silva. Em 1817, o químico Johan August Arfvedson, de Estocolmo, analisou essa petalita e concluiu que ela continha um metal desconhecido, que chamou de lítio.
Na natureza, o lítio não aparece como metal puro. Ele faz parte da estrutura de mais de 200 minerais, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM). Se a diferença entre mineral, minério e rocha ainda confunde, vale ler Mineral, minério e rocha: qual é a diferença.
De onde vem o lítio: salmouras e espodumênio
Dois tipos de depósito respondem pela produção mundial.
Salmouras. São águas muito salgadas, bombeadas de baixo de bacias secas, como os salares do Chile e da Argentina. Segundo o USGS, o clima árido é essencial porque o primeiro passo da extração é a evaporação solar: a salmoura vai para grandes tanques, a água evapora e o lítio se concentra. É o que mostra a foto da capa, feita em Clayton Valley, Nevada, nos Estados Unidos.
Pegmatitos. São rochas graníticas de cristais muito grandes. Neles, o lítio está em minerais como:
- espodumênio, um silicato de lítio e alumínio, o mineral de lítio que o Brasil produz;
- petalita, outro silicato de lítio e alumínio;
- lepidolita, uma mica cor-de-rosa;
- ambligonita, um fosfato.
O minério extraído é processado até virar um concentrado de espodumênio, que depois é aquecido (calcinado) e tratado quimicamente para dar origem a compostos como o carbonato e o hidróxido de lítio, usados pela indústria de baterias.

Segundo a ANM, no Brasil predominam espodumênio, lepidolita, ambligonita e petalita, todos em pegmatitos. As ocorrências se concentram em três províncias pegmatíticas: a Oriental (Minas Gerais e Bahia), a do Nordeste (Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará) e a Meridional (São Paulo).
Para que serve o lítio
O USGS estima assim os usos finais do lítio no mundo:
| Uso | Participação | Exemplo |
|---|---|---|
| Baterias | 88% | carros elétricos, armazenamento de energia, celulares, ferramentas elétricas |
| Cerâmica e vidro | 4% | vidros especiais e vitrocerâmicas |
| Graxas lubrificantes | 2% | graxas para altas temperaturas |
| Tratamento de ar | 1% | sistemas de ar-condicionado e secagem industrial |
| Pós para lingotamento contínuo | 1% | pós usados nos moldes onde o metal líquido solidifica |
| Medicina | 1% | remédios à base de carbonato de lítio |
| Outros | 3% | usos diversos |
Alguns detalhes ajudam a entender a lista:
- Baterias. O USGS atribui o salto no consumo às baterias recarregáveis de carros elétricos, de armazenamento de energia na rede elétrica, de aparelhos eletrônicos portáteis e de ferramentas elétricas. Também existem baterias de lítio não recarregáveis, usadas em marca-passos, brinquedos e relógios, segundo a Royal Society of Chemistry. Veja o que mais tem dentro do aparelho em Quais minerais tem no seu celular.
- Cerâmica e vidro. Nesse caso, os minerais de lítio podem ser usados diretamente, como concentrado, sem virar composto químico, segundo o USGS.
- Graxas. O estearato de lítio é usado como lubrificante de uso geral e para altas temperaturas.
- Tratamento de ar. O cloreto de lítio é um dos materiais que mais absorvem umidade, por isso entra em sistemas de ar-condicionado e de secagem industrial.
- Medicina. O carbonato de lítio é usado em remédios para o transtorno bipolar.
- Ligas. Entre outros usos, ligas de alumínio e lítio, mais leves e resistentes, aparecem em aviões, quadros de bicicleta e trens de alta velocidade.
Para ver como outros minerais também chegam ao dia a dia, leia Mineração no dia a dia: o que vem das minas e está na sua casa.
Quem produz e onde estão as reservas
Segundo o USGS, a produção mundial de mina, sem contar os Estados Unidos (que não divulgam o número), subiu 31% em 2025, para cerca de 290 mil toneladas de lítio contido. O consumo mundial cresceu 20%, para cerca de 263 mil toneladas.
| País | Produção de mina em 2025 (t de lítio) | Reservas (t de lítio) |
|---|---|---|
| Austrália | 92.000 | 8.400.000 |
| China | 62.000 | 4.600.000 |
| Chile | 56.000 | 9.200.000 |
| Zimbábue | 28.000 | 500.000 |
| Argentina | 23.000 | 4.400.000 |
| Estados Unidos | não divulgada | 4.400.000 |
| Brasil | 12.000 | 540.000 |
| Mali | 9.400 | 370.000 |
| Canadá | 5.600 | 1.600.000 |
| Mundo (arredondado) | 290.000 (sem os EUA) | 37.000.000 |
Fonte: USGS, Mineral Commodity Summaries 2026 (dados de 2025 estimados).
Três pontos se destacam:
- A Austrália, maior produtora a partir de pegmatitos, respondeu sozinha por cerca de um terço da produção de 2025. O Chile, que extrai lítio de salmouras, tem as maiores reservas.
- O Brasil teve cerca de 4% da produção mundial em 2025 e a sétima maior reserva entre os países listados pelo USGS.
- O preço oscila muito. A média anual do carbonato de lítio grau bateria nos Estados Unidos, em valores corrigidos, foi de US$ 63.700 por tonelada em 2022 e de US$ 9.000 em 2025, segundo o USGS.
Onde o Brasil produz lítio
Segundo a ANM, em 2024 o Brasil produziu 944.114 toneladas de concentrado de espodumênio, com teor médio de 5,7% de óxido de lítio. Isso equivale a 25.979 toneladas de óxido de lítio (Li₂O), um aumento de 71% em relação a 2023. Todo esse concentrado veio de três minas em Minas Gerais:
- Mina da Cachoeira, subterrânea, da Companhia Brasileira de Lítio (CBL), em Itinga e Araçuaí;
- Mina Grota do Cirilo, a céu aberto, da Sigma Mineração, em Itinga;
- Mina Volta Grande, da AMG Mineração, em Nazareno.
As duas primeiras ficam no Vale do Jequitinhonha. Segundo a ANM, o crescimento de 2024 veio principalmente da operação da Sigma. A CBL é a única empresa sediada no Brasil que fabrica compostos químicos de lítio, como carbonato e hidróxido, em sua fábrica de Divisa Alegre (MG).
Alguns números da ANM mostram o tamanho do setor e seus contrastes:
- Reservas: cerca de 642,5 mil toneladas de óxido de lítio, no Vale do Jequitinhonha e na região de São João del-Rei (MG).
- Exportação: o Brasil exportou US$ 302,6 milhões em produtos de lítio em 2024, 94,5% deles em concentrado de espodumênio. A China recebeu 97% desse valor.
- Importação: o país comprou US$ 647,7 milhões em produtos de lítio em 2024, sobretudo baterias de íons de lítio já prontas. O saldo do setor ficou negativo em US$ 355,2 milhões.
- Royalties: a arrecadação da CFEM, a compensação paga pelas mineradoras, caiu 56,3% em 2024, para R$ 24,1 milhões, puxada pela queda dos preços.
Em 2023, o governo de Minas Gerais lançou o projeto Vale do Lítio, com o objetivo declarado de tornar o estado protagonista na cadeia de valor do lítio. Segundo o governo estadual, até maio de 2026 a iniciativa atraiu R$ 6,9 bilhões em investimentos privados. A expansão da mineração na região tem efeitos sociais e ambientais, positivos e negativos, que analisamos em Lítio no Vale do Jequitinhonha: oportunidades e problemas. Para um panorama geral do tema, veja Impactos ambientais da mineração: quais são e como podem ser reduzidos.
Perguntas frequentes
Lítio para que serve, afinal?
Principalmente para baterias recarregáveis, que consomem 88% do lítio do mundo, segundo o USGS. O restante vai para cerâmica e vidro, graxas lubrificantes, tratamento de ar, pós para lingotamento contínuo e remédios.
Qual país produz mais lítio?
A Austrália, com cerca de 92 mil toneladas de lítio contido em 2025, segundo o USGS. China e Chile vêm em seguida. O Chile tem as maiores reservas.
Onde tem lítio no Brasil?
A produção está em Minas Gerais: em Itinga e Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, e em Nazareno. Segundo a ANM, também há ocorrências em pegmatitos da Bahia, da Paraíba, do Rio Grande do Norte, do Ceará e de São Paulo.
O Brasil transforma o lítio que extrai?
Só em parte. Segundo a ANM, a CBL é a única empresa sediada no Brasil que produz compostos químicos de lítio. As exportações do setor são quase todas de concentrado de espodumênio, sobretudo para a China, enquanto o país importa baterias prontas.
Este artigo foi útil? Compartilhe com quem também quer entender a mineração.
Compartilhar
Fontes
- USGS – Mineral Commodity Summaries 2026: Lithium (fevereiro de 2026)
- USGS – Professional Paper 1802-K: Lithium (Bradley e outros, 2017)
- Royal Society of Chemistry – Periodic Table: Lithium
- ANM – Sumário Mineral 2025: Lítio (ano-base 2024)
- Agência Minas (Governo de Minas Gerais) – Vale do Lítio completa três anos marcados por avanço no PIB de municípios do Jequitinhonha (9/5/2026)
Comentários
Ainda não há comentários. Seja a primeira pessoa a comentar.


