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Terras raras no Brasil: onde estão e quais projetos existem

Mapa explicado das terras raras no Brasil em 2026: a mina de Goiás, os projetos de Minas Gerais e da Bahia, os tipos de depósito e o estágio de cada um.

Por Ingrid Calazans, Eng.ª de Minas

8 min de leitura

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Vista aérea de uma cidade com casas de telhado vermelho e ruas arborizadas, com morros e um grande lago ao fundo
Minaçu, no norte de Goiás, vista do alto em 2024. O município abriga a mina Pela Ema, a única com produção comercial de terras raras no Brasil. Imagem: EditorGoiano · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

As terras raras no Brasil estão concentradas, por enquanto, em três estados: Goiás, onde funciona a única mina com produção comercial do país, Minas Gerais, que reúne os projetos mais avançados, e Bahia, onde há um projeto em fase de estudo. Este guia mostra onde fica cada projeto, que depósito explora, quem é a empresa e em que estágio está em outubro de 2026.

Em resumo

  • A mina Pela Ema, da Serra Verde, em Minaçu (GO), é a única com produção comercial de terras raras no Brasil. Desde setembro de 2026, a empresa pertence à americana USA Rare Earth.
  • Os projetos mais avançados estão no Sul de Minas, no planalto de Poços de Caldas: Caldeira (Meteoric) e Colossus (Viridis). Os dois têm licença prévia e aguardam a licença de instalação.
  • Há projetos também em Nova Roma (GO), Araxá (MG) e na Bahia, e o Serviço Geológico do Brasil (SGB) mapeia novas áreas.
  • Quase todos os depósitos em desenvolvimento são de argila iônica. Araxá é um carbonatito, e o projeto da Bahia explora uma rocha de teor muito alto.
  • Segundo o Observatório da Mineração, mesmo nos cronogramas otimistas os novos projetos só devem entrar em produção comercial entre 2028 e 2030.

Três tipos de depósito, explicados de forma simples

As terras raras ficam presas em minerais ou grudadas em partículas de argila, e o tipo de depósito muda a forma de extrair. Os principais no Brasil são:

  • Argila iônica. É um solo profundo, formado pela decomposição de rochas em clima tropical. As terras raras ficam presas de forma fraca às partículas de argila e podem ser soltas com uma solução de sal, sem britar nem moer rocha. Explicamos o processo em Argila iônica: o tipo de depósito que pôs o Brasil no mapa das terras raras.
  • Carbonatitos e rochas alcalinas. São rochas formadas a partir de magma, ricas em minerais de carbonato. No oeste de Minas, o SGB cita os complexos de Araxá, Tapira, Salitre e Serra Negra. Em Araxá, segundo a St George Mining, as terras raras estão sobretudo na monazita, concentradas na rocha alterada perto da superfície.
  • Areias com monazita. São areias de praia com minerais pesados. Segundo o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), elas foram exploradas por décadas no norte do Rio de Janeiro, no sul do Espírito Santo e no sul da Bahia, com destaque para Buena (RJ).

O projeto da Bahia foge desses grupos: segundo a Brazilian Rare Earths, é uma rocha de teor muito alto, em que o principal mineral é a chevkinita.

O mapa dos projetos

Mapa do Brasil com Goiás, Minas Gerais e Bahia em destaque e os principais projetos de terras raras marcados com números
Principais projetos e áreas de pesquisa de terras raras no Brasil, com a situação em outubro de 2026.Imagem: MineraMente · Ilustração própria
Projeto Empresa Local Depósito Estágio (out/2026)
Pela Ema Serra Verde (USA Rare Earth) Minaçu (GO) Argila iônica Em operação
Carina Aclara Resources Nova Roma (GO) Argila iônica Licenciamento
Caldeira Meteoric Resources Caldas e Poços de Caldas (MG) Argila iônica Licença prévia; aguarda licença de instalação
Colossus Viridis Mining and Minerals Poços de Caldas (MG) Argila iônica Licença prévia; aguarda licença de instalação
Araxá St George Mining Araxá (MG) Carbonatito Estudos econômicos
Rocha da Rocha Brazilian Rare Earths Ubaíra e Jiquiriçá (BA) Rocha de alto teor Estudo preliminar e licenciamento

Goiás: a única mina em operação

Pela Ema (Serra Verde), em Minaçu. É um depósito de argila iônica. Segundo a USA Rare Earth, que concluiu a compra da Serra Verde em 3 de setembro de 2026, a produção começou em janeiro de 2024 e passa por um programa de otimização. A meta é chegar a cerca de 4 mil toneladas por ano de óxidos de terras raras até o fim de 2026 e, numa segunda etapa já em obras, a 6,4 mil toneladas por ano. O funcionamento da mina está em Serra Verde: como funciona a mina de terras raras de Goiás, e o contexto político da venda, em Por que todo mundo está falando de terras raras?.

Carina (Aclara Resources), em Nova Roma. Também é argila iônica, com destaque para terras raras pesadas, como disprósio e térbio. A Aclara é canadense. Segundo o estudo de viabilidade de abril de 2026, a mina duraria 18 anos e produziria em média 4.378 toneladas por ano de óxidos de terras raras. O pedido de licença prévia foi entregue ao governo de Goiás em maio de 2025. Em abril de 2026, a Aclara esperava essa licença ainda no primeiro semestre e o início da operação no segundo semestre de 2028. Não encontramos confirmação pública de que a licença prévia tenha saído.

Minas Gerais: Poços de Caldas e Araxá

O planalto de Poços de Caldas, no Sul de Minas, fica sobre um complexo de rochas alcalinas de cerca de 80 milhões de anos e 800 km², segundo a Meteoric. A decomposição dessas rochas formou uma extensa camada de argila, onde estão dois projetos vizinhos.

Caldeira (Meteoric Resources). A australiana Meteoric informa um recurso de 1,6 bilhão de toneladas com 2.317 ppm (partes por milhão) de óxidos de terras raras (julho de 2026) e concluiu o estudo de viabilidade em 31 de julho. A licença prévia saiu em dezembro de 2025, e a decisão sobre a licença de instalação, pedida em 2026, era esperada para o último trimestre do ano. Em 1º de outubro de 2026, a Lynas Rare Earths, que produz terras raras na Austrália e na Malásia, anunciou acordo para comprar a Meteoric por cerca de A$ 968 milhões em ações, negócio que ainda depende de aprovações. Detalhes em Projeto Caldeira, em Poços de Caldas: o que a compra pela Lynas significa.

Colossus (Viridis Mining and Minerals). Também australiana, a Viridis informa um recurso de 473 milhões de toneladas com 2.505 ppm de óxidos de terras raras (julho de 2026). A licença prévia foi aprovada em dezembro de 2025, e o pedido de licença de instalação foi entregue em maio de 2026. A meta é produzir a partir do primeiro semestre de 2028.

Araxá (St George Mining). Fica no Complexo Carbonatítico do Barreiro, no oeste de Minas, região de onde sai mais de 80% do nióbio do mundo, segundo a empresa. Em agosto de 2026, a St George informou um recurso de 111,2 milhões de toneladas com 3,57% de óxidos de terras raras e 0,57% de óxido de nióbio, teor bem mais alto que o das argilas. O projeto está em estudos econômicos e de planejamento de mina.

Bahia: um projeto de teor muito alto

Rocha da Rocha (Brazilian Rare Earths). O depósito principal, Monte Alto, fica em Ubaíra e Jiquiriçá, a cerca de 270 km de Salvador. Segundo a empresa, o minério tem teor médio de 11,3% de óxidos de terras raras. O estudo preliminar, de 13 de agosto de 2026, tem precisão de mais ou menos 40%. O plano é concentrar o minério na mina e refiná-lo em Camaçari, perto de Salvador. O licenciamento começou em dezembro de 2024, e a meta é produzir a partir de 2031.

Onde o governo está pesquisando

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) estuda o potencial de novas áreas:

  • Alto Paranaíba (MG). Trabalhos de campo em 2026 em Patos de Minas, São Gotardo, Tiros e Carmo do Paranaíba. Um plano de trabalho do órgão prevê investigar argilas iônicas nos complexos de Serra Negra e Salitre.
  • Cinturão Ribeira (SP e PR). A terceira etapa de campo foi feita em abril de 2026, e o SGB selecionou áreas prioritárias para estudos detalhados.
  • Bacia do Parnaíba (PI e BA). Segundo reportagem de setembro de 2026, a borda leste da bacia é estudada pelo SGB, e a canadense Origen Resources negocia projetos de exploração ali, ainda sem recurso estimado.

Há ainda depósitos que não podem ser explorados: segundo o Observatório da Mineração, Seis Lagos (AM) fica dentro de reserva indígena.

Do mapa à produção: o que ainda falta

Os projetos ainda precisam de licença de instalação, financiamento e, depois, licença de operação. O Observatório da Mineração aponta questionamentos socioambientais, como o alerta do Ministério Público Federal sobre nascentes na área de Caldeira e uma multa à Serra Verde por desmatamento. A Meteoric afirma cumprir todas as exigências ambientais e cita ofícios de órgãos federais segundo os quais o projeto não oferece risco radiológico. Outro desafio é o refino: a Aclara planeja separar os elementos nos Estados Unidos, e a Brazilian Rare Earths propõe uma refinaria na Bahia. Para entender os números de reservas, leia Quanto o Brasil tem de terras raras? Por que os números mudam.

Perguntas frequentes

Onde ficam as terras raras no Brasil?

Os principais projetos estão em Goiás (Minaçu e Nova Roma), Minas Gerais (Poços de Caldas e Araxá) e Bahia (Ubaíra e Jiquiriçá). O SGB pesquisa outras áreas em Minas, São Paulo, Paraná e Piauí.

Quantas minas de terras raras estão funcionando no Brasil?

Uma: a mina Pela Ema, da Serra Verde, em Minaçu (GO), em produção desde janeiro de 2024. Os demais projetos estão em estudo ou licenciamento.

Quem são as empresas por trás dos projetos?

A Serra Verde pertence à americana USA Rare Earth. Meteoric, Viridis, St George e Brazilian Rare Earths são australianas, e a Aclara é canadense. A Meteoric fechou acordo de venda para a Lynas, que ainda depende de aprovações.

Quando os novos projetos devem começar a produzir?

Pelos cronogramas das empresas, Colossus e Carina miram 2028, e Rocha da Rocha, 2031. Caldeira depende da licença de instalação e da decisão de investimento. Os prazos podem mudar: a licença de instalação de Caldeira era esperada para junho de 2026 e passou para o fim do ano.

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Fontes

  1. USA Rare Earth – USA Rare Earth Completes Combination with Serra Verde Group, comunicado anexo ao formulário 8-K na SEC (4/9/2026)
  2. Observatório da Mineração – Factsheet Terras Raras no Brasil (setembro de 2026)
  3. Aclara Resources – Aclara Announces Filing and Results of Feasibility Study for Its Flagship Carina Project (13/4/2026)
  4. Aclara Resources – Aclara Submits EIA and Provides Update for Its Carina Project in Brazil (29/5/2025)
  5. Aclara Resources – Aclara Announces Filing and Results of Pre-Feasibility Study for Its Flagship Carina Project (6/11/2025), via Stockwatch
  6. Meteoric Resources – Measured Resources Grow 246% to 128Mt, comunicado à ASX (9/7/2026)
  7. Meteoric Resources – Quarterly Activities Report, junho de 2026, comunicado à ASX (24/7/2026)
  8. The Motley Fool Australia – Meteoric Resources releases Caldeira DFS (31/7/2026)
  9. Small Caps – Meteoric's Caldeira Project Secures Key Environmental Green Light (dezembro de 2025)
  10. Lynas Rare Earths e Meteoric Resources – Lynas Rare Earths to acquire Meteoric Resources, comunicado à ASX (1/10/2026)
  11. Viridis Mining and Minerals – Quarterly Activity Report, 30 de junho de 2026, comunicado à ASX (24/7/2026)
  12. Mining Weekly – Colossus rare earths project, Brazil: update (11/9/2026)
  13. St George Mining – 155% increase to Measured & Indicated Resources confirms Araxá as world-class rare earths, niobium project, comunicado à ASX (11/8/2026)
  14. Brazilian Rare Earths – BRE Scoping Study Supports First Quartile, Integrated Heavy Rare Earth Dominant Project, comunicado à ASX (13/8/2026)
  15. SGB – Plano de trabalho 094/2025: potencial dos corpos alcalino-carbonatíticos de Serra Negra e Salitre (2025)
  16. Cenário Energia – SGB intensifica mapeamento de terras raras em Minas Gerais (27/3/2026)
  17. Brasil 61 – SGB avança com estudo no Cinturão Ribeira em SP e PR (12/5/2026)
  18. Movimento Econômico – Mineradora canadense confirma ocorrência de terras raras em áreas no PI e na BA (29/9/2026)
  19. CETEM – Rochas e Minerais Industriais, capítulo 36: Terras Raras
  20. IBGE – Malha territorial das unidades da federação (API de malhas, usada no mapa)

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